Relações entre estudos e mercado de trabalho

Examine com os alunos uma questão que está presente na vida de todos: por que é essencial estudar cada vez mais para garantir um bom emprego?

 Mesa com currículo e óculos . Imagem: freepik

Objetivos
- Compreender as categorias emprego e desemprego na atualidade;
- Identificar o perfil daqueles que são mais atingidos pelo desemprego no Brasil
- Reconhecer as causas do desemprego na atualidade

Conteúdos
- Processo de trabalho e relações de trabalho
- Transformações no mundo do trabalho
- Emprego e desemprego na atualidade

Anos
Ensino Médio 

Tempo estimado
06 aulas 

Materiais necessários
- Computadores com acesso à internet
- Livros, revistas e jornais para os alunos realizarem as pesquisas solicitadas ao longo desta sequência didática

Introdução

Nesta semana, Veja publica uma entrevista com Glaucius Oliva, presidente do Comitê Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ele explica como administra o programa "Ciências sem fronteiras", uma iniciativa que concede bolsas no exterior a estudantes de graduação e pós-graduação. Ele conta como o projeto tem a finalidade de melhorar alguns setores da economia brasileira - especialmente aqueles ligados às áreas de exatas e biológicas - e porque a qualificação em universidades estrangeiras é um diferencial.

A reportagem é uma boa leitura para você fazer antes de preparar uma sequência didática sobre a relação entre qualificação profissional, estudos e bons postos no mercado de trabalho. O tema tem relação com outros conteúdos curriculares como globalização, relações de trabalho e emprego, entre outros. Acesse o texto no acervo digital de Veja. Boa leitura e bom trabalho!

Desenvolvimento
1ª etapa
Proponha aos estudantes uma "roda de conversa" para discutir as grandes mudanças ocorridas no mundo do trabalho com o advento da sociedade industrial e as novas exigências à qualificação requerida aos trabalhadores. Relembre alguns conceitos importantes, como: "trabalho", "população economicamente ativa (PEA)", e "população economicamente inativa (PEI)". Se achar necessário, você pode acessar a descrição de cada um deles no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Em seguida, problematize propondo algumas questões:
- Você conhece alguma pessoa desempregada? Há quanto tempo essa pessoa está sem trabalhar?
- Qual o nível de escolaridade dessas pessoas?
- Em qual setor da economia (primário, secundário ou terciário) elas atuavam?


Oriente o grupo a fazer uma pesquisa com dez pessoas desempregadas. Os alunos deverão investigar, dentre outros aspectos, o tempo de desemprego, o motivo da demissão, o setor da economia em que atuam e o nível de escolaridade das mesmas. 

2ª etapa
Auxilie os alunos na elaboração de um gráfico que demonstre as informações levantadas nesta pesquisa. A atividade é oportuna para ser trabalhada em parceria com professores de outras áreas do conhecimento, em especial com a área de Matemática, pois envolve a tabulação dos dados e escolha do tipo de gráfico mais adequado (barras, colunas, pizza, linhas etc) para representar as informações, bem como a construção dessa forma de representação cartográfica.

Se a escola possuir laboratório de informática aproveite oriente os estudantes a utilizarem o computador como recurso para a elaboração dos gráficos. Planeje a atividade com antecedência a fim de que os objetivos propostos sejam alcançados.

3º etapa 

Se os computadores da sua escola forem conectados à internet, proponha uma pesquisa em sites de busca (dê preferência às plataformas educacionais multimídia, como por exemplo, a Britannica Escola Online, recomendada pelo MEC). Com esse recurso os estudantes poderão levantar informações sobre as principais características da Primeira, Segunda e Terceira Revolução Industrial, com destaque para as mudanças fundamentais acontecidas nas relações de trabalho desde as atividades artesanais até aquelas desenvolvidas nos setores mais modernos da indústria e dos serviços especializados.

Oriente e ajude os estudantes a elaborem um quadro comparativo mostrando as principais mudanças nas relações de trabalho em cada período histórico.

Após a apresentação dos quadros ilustrativos pelos grupos, evidencie que todas estas mudanças no mundo do trabalho caracterizam-se, essencialmente, por:
- diminuição dos ciclos de produção
- mudança na divisão do trabalho dentro das empresas
- consolidação das tecnologias da informática
- polivalência e treinamento dos trabalhadores como requisitos essenciais aos novos processos produtivos

4ª etapa
Apresente a charge a seguir e questione os adolescentes sobre o tema que ela aborda:

 Charge sobre desemprego. Imagem: Luigi Rocco


Charge: Luigi Rocco. Disponível no site Humorama

Após expressarem suas opiniões, ressalte que todas essas mudanças no mundo do trabalho foram provocadas especialmente pelo desenvolvimento tecnológico. O objetivo era o aumento da produtividade (com otimização de tempo e de matéria-prima). Vale lembrar que o desenvolvimento tecnológico dificulta a inserção ou permanência no emprego de trabalhadores com menor grau de instrução. 

5º etapa 
Prossiga mediando a produção de novos conhecimentos por parte dos estudantes. Faça questões como:
- Quais são as vantagens que o desenvolvimento tecnológico proporcionou nos processos de produção nos setores primário, secundário e terciário?
- Quais são as desvantagens que o desenvolvimento tecnológico proporcionou nos processos de produção nos setores primário, secundário e terciário?


Solicite aos alunos que pesquisem em jornais, revistas ou outras mídias, respostas para as questões acima. Reserve um tempo para que os resultados das pesquisas sejam compartilhados. 

6º etapa 
Evidencie que ao passo que novas tecnologias permitem um aumento significativo de crescimento econômico, elas causam também a elevação do "desemprego estrutural", originado pela substituição da mão de obra humana pelo trabalho de máquinas e equipamentos modernos comandados por sistemas informatizados. Neste sentido, esclareça que as pessoas com menor nível de escolaridade ou são excluídos definitivamente dos postos de trabalho, aumentando assim os números do trabalho informal, ou são conduzidas a postos de trabalho com salários cada vez mais baixos. Problematize com perguntas como:

- Quem são os excluídos dos postos de emprego que exigem mão de obra qualificada/especializada?
- Qual a importância da qualificação profissional no atual contexto econômico e tecnológico em que vivemos?


Permita que os estudantes expressem suas opiniões. Ressalte que a ocupação dos cargos nos mais diferentes setores da economia depende, em tempos de globalização comercial, de maior qualificação profissional, decorrente de níveis de escolarização cada vez mais elevados. Conte que as inovações tecnológicas favoreceram o aumento do desemprego e simultaneamente, criaram novos postos de trabalho mais complexos, porém em número bem menor. Os trabalhadores dispensados no primeiro caso dificilmente conseguem recolocação nos novos postos criados.

Esclareça que, ao mesmo tempo em que o desemprego estrutural reduz a presença humana nos postos de trabalho seja no setor primário, secundário ou terciário, demanda também, a presença de uma outra mão de obra mais especializada para operar instrumentos cada vez mais complexos.

7ª etapa
Para estimular o interesse dos estudantes, convide-os a ouvirem, com atenção, a música "Meu nome é trabalho" de autoria de interpretação de Arlindo Cruz, disponível na internet: 

Meu nome é trabalho
(Arlindo Cruz) 
Meu nome é trabalho mas eu tô pegado
A fim de um cascalho vou pra todo lado
Tenho cinco pirralhos chorando um bocado
Vê se quebra o galho doutor, tô desempregado
Me arranja um trabalho doutor, tô desempregado

Já fui pedreiro, carpinteiro
Motorneiro e até motorista
Já fui copeiro, fui caseiro
Jornaleiro e até jornalista

Meti os peitos, fiz tudo direito
Sou advogado
Vê se quebra o galho doutor, tô desempregado
Me arranja um trabalho doutor, tô desempregado

Mecanó, Datiló
Estenógrafo eu sou
Maquinista, copista
Analista de computador

Fui profeta, atleta
Poeta e até professor formado
Vê se quebra o galho doutor, tô desempregado
Me arranja um trabalho doutor, tô desempregado

Toco viola e sei jogar bola também
Levei sacola, vendi mariola no trem
Carreguei (vadiola), brequei minha sola
Não tenho um vintém furado
Vê se quebra o galho doutor, tô desempregado
Me arranja um trabalho doutor, tô desempregado

Meu nome é trabalho mas eu tô pegado
A fim de um cascalho vou pra todo lado
Tenho cinco pirralhos chorando um bocado
Vê se quebra o galho doutor, tô desempregado
Me arranja um trabalho doutor, tô desempregado

Já fui burocrata, fui tecnocrata
Vendi ouro e prata a doidado
Vê se quebra o galho doutor, tô desempregado
Me arranja um trabalho doutor, tô desempregado

Vou pro psicólogo e fonoaudiólogo
Eu fui elogiado
Vê se quebra o galho doutor, tô desempregado
Me arranja um trabalho doutor, tô desempregado

Eu não sou de roubar, eu não sou marajá
E nem sou de chegar atrasado
Vê se quebra o galho doutor, tô desempregado
Me arranja um trabalho doutor, tô desempregado

Eu não quero ser doutor, nem ser embaixador
E nem governador do Estado
Meu nome é trabalho doutor, tô desempregado
Me arranja um trabalho doutor, tô desempregado 

Após ouvirem a música, pergunte:
- Que problema retrata a letra dessa música? Que leitura(s) pode-se fazer desta canção?
- Quem eram os desempregados de ontem e quem são os de hoje?



8º etapa

Auxilie os grupos a elaborem um quadro comparativo mostrando os principais motivos do desemprego em cada momento histórico (Primeira, Segunda e Terceira Revolução Industrial), bem como o nível de escolaridade das pessoas mais afetadas nos postos de trabalho.

 

 Tabela com comparação do desemprego nas três revoluções industriais . Imagem: produção NOVA ESCOLA


Destaque, ainda, que as significativas mudanças sofridas nos postos de trabalho alteraram a distribuição das pessoas economicamente ativas nos setores da economia, aumentando expressivamente o número daquelas que atuam no setor terciário (comércio e serviços).

9ª etapa

Nesta etapa, auxilie os adolescentes a sistematizarem o que aprenderam sobre a importância da formação para o mercado de trabalho no mundo atual. 

Resgate as ideias e informações mais interessantes apontadas no decorrer das discussões e propicie a compreensão de que é fundamental ponderarmos o fato de que vivemos na "era do conhecimento" e "da informação" e, dessa forma, a educação tem um papel cada vez mais propositivo.

Segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em março de 2011 os pobres brasileiros representavam 55% do total de desempregados. O que seus alunos acham que isso significa? Permita que eles digam o que pensam e reforce que esse dado é muito expressivo, já que reflete as dificuldades das classes menos favorecidas em terem acesso a uma educação de qualidade. 

E o que eles acham que pode ser feito para melhorar a educação do nosso país? 

Solicite aos grupos que pesquisem e citem exemplos de ações que podem mudar a situação atual da educação brasileira. Eles poderão elaborar políticas de investimento na educação pública (do ensino fundamental à pós-graduação) com o objetivo de minimizar a pobreza e a exclusão social. O crescimento econômico somente é possível a partir da disponibilidade de mão de obra especializada, propiciado por uma formação escolar de boa qualidade.

Ressalte que cada vez mais é imprescindível estudar para garantir um posto no mercado de trabalho na atualidade. Tem sido comum que o trabalhador, almejando atender às novas exigências, busque qualificação. Porém, muitas vezes, carente de senso crítico e sem orientação, ele corre o risco de se tornar vítima das armadilhas de algumas escolas de especialização (cursos de informática, inglês "fácil" e rápido e inclusive pós-graduação em universidades de qualidade duvidosa), que confundem "Educação" com simples "mercadoria".

Avaliação 
Nos debates durante as análises, na produção e nas apresentações em forma de painéis e exposições, verifique se cada aluno compreendeu e utilizou adequadamente os conceitos abordados e soube analisar as informações levantadas. Atenção à participação individual e coletiva! Avalie a postura de cada aluno e destaque os aspectos que necessitam ser melhorados para uma ação efetivamente colaborativa no grupo. Por meio de representações (desenhos, painéis, dentre outras) verifique as dificuldades de cada estudante em relação à assimilação dos conceitos estudados. Proponha a criação de um blog coletivo com a finalidade de divulgar os conhecimentos adquiridos durante cada atividade de pesquisa.

Fonte: Nova Escola - http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/plano-de-aula-geografia-relacoes-estudos-mercado-trabalho-737008.shtml